Arrumo
o niilismo e verifico novamente o relógio, o tempo corre de forma desconexa e
irreal, é inverno e a chuva bate constantemente na vidraça como o sentimento de
culpa que me assalta pela falta de produtividade.
Acendo
novamente o tabaco que entretanto se
apagou e foco toda a minha energia na procura de resposta para as questões
verdadeiramente importantes do universo, como o resultado da bola do fim de
semana passado, o novo corte de salários ou o facto de não ter uma noite de
sono decente em meses, o barulho da noite escura entra-me pelos olhos a dentro
e uma vez mais distraio-me, recomeço, paro, desisto...
Nada
disto é verdadeiramente novo, a rotina de quebrar rotinas e procurar o sublime
nos grandes feitos de outrem e procurar efeitos de transferência que me acalmem
o espírito não surte efeito. Sinto a falta do transcendente, sinto a falta do
caminho da imortalidade dos grandes génios que sinto correr nas minhas veias,
mas que troco pelos prazeres imediatos, sempre mais simples e fáceis.
O
fumo que entra dentro de mim e destrói os meus pulmões mas acalma a fúria da minha
vulgaridade, forço-me a recomeçar mil vezes mas desisto outras tantas rapidamente. Não vejo sentido
para continuar e construo milhares de motivos para secretamente sustentar algo que á parida sei ser errado.
São
2horas... (o que quer que isso signifique!) e chuva na vidraça não lava a minha
alma. Amanha é que vai ser o dia...
Tento
uma ultima vez... Boa Noite!!
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