terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Rotina

Arrumo o niilismo e verifico novamente o relógio, o tempo corre de forma desconexa e irreal, é inverno e a chuva bate constantemente na vidraça como o sentimento de culpa que me assalta pela falta de produtividade.
Acendo novamente  o tabaco que entretanto se apagou e foco toda a minha energia na procura de resposta para as questões verdadeiramente importantes do universo, como o resultado da bola do fim de semana passado, o novo corte de salários ou o facto de não ter uma noite de sono decente em meses, o barulho da noite escura entra-me pelos olhos a dentro e uma vez mais distraio-me, recomeço, paro, desisto...
Nada disto é verdadeiramente novo, a rotina de quebrar rotinas e procurar o sublime nos grandes feitos de outrem e procurar efeitos de transferência que me acalmem o espírito não surte efeito. Sinto a falta do transcendente, sinto a falta do caminho da imortalidade dos grandes génios que sinto correr nas minhas veias, mas que troco pelos prazeres imediatos, sempre mais simples e fáceis.
O fumo que entra dentro de mim e destrói os meus pulmões mas acalma a fúria da minha vulgaridade, forço-me a recomeçar mil vezes mas desisto outras tantas rapidamente. Não vejo sentido para continuar e construo milhares de motivos para secretamente sustentar algo que á parida sei ser errado.
São 2horas... (o que quer que isso signifique!) e chuva na vidraça não lava a minha alma. Amanha é que vai ser o dia...

Tento uma ultima vez... Boa Noite!!

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