segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Desapontante

Nada é mais promissor do que dizer "Eu poderia ter sido alguém"... ou nada é mais desapontante?

Não sei bem. Não sei nada. Sei que nada disto é algo de bom, algo em que acreditar, algo em que repousar e em que sustentar qualquer tipo de sonho. É isso... até o sonho mais pequeno é insustentável perante esta situação. Quase me impede de sonhar, este marasmo secular e avassalador.

Estou parado, numa estação no meio da noite, à espera de um comboio especial, de um comboio sonhado, enquanto passam comboios a toda a hora. Comboios que recuso, comboios para os quais nem me digno olhar, comboios que ignoro verdadeiramente, ao ponto de nem sequer me aperceber que existem. Só com grande esforço consigo convencer-me, nos intervalos entre um e outro, de quando em vez, que existem mesmo. E que estou à espera, inutilmente.

Desperdício de talento. Desperdício de tempo. Desperdício de mente. Desperdício de tudo.

E sonhos por viver, acumulados por trás da porta, como farrapos sujos e velhos e gastos.